A Invasão Latina

O Zé tá nos Estados Unidos. Ou seria México? Ou Cuba?

Enfim, pelos Estados Unidos passei por quatro grandes cidades (no que se refere a tamanho mesmo). Los Angeles, Las Vegas, Miami e Nova Iorque. Mas a impressão que deu é que eu estava em algum país da América Latina.

Que na Flórida o espanhol é o idioma mais falado e a população de latinos já é mais da 50%, todo mundo sabe. Quando estava em Miami, era comum as pessoas me atenderem primeiro em espanhol quando estava em restaurantes e lojas.  Apenas em caso de você não dominar a língua, eles trocam para o inglês.

Em Los Angeles a impressão foi também muito parecida. Isso devido à grande concentração de mexicanos. Eu diria que enquanto os latinos da Flórida vêm de Cuba, Porto Rico, e a América Latina em geral, na Califórnia, eles vêm só do México mesmo. É fácil perceber um estilão mais “chicano” por lá. Arquitetura, estilo das pessoas e a forma como se comunicam. Eu só não tinha ideia de que era tanto.

Em Las Vegas, a presença latina era um pouco menor em comparação às duas cidades anteriores, mas ainda sim, bastante forte. Nas ruas, minha impressão era de que 50% da vozes falavam em inglês e a outra metade em espanhol.

Por fim, Nova Iorque também não ficou pra trás. Andando pelo Times Square, acho que o espanhol era o mais falado. Seguido pelo português. Em uma ocasião, pegando o elevador no Madame Tussauds , estava eu, uma mulher de uns quarenta anos, um outro casal e mais duas meninas de uns 15 anos. E não é que todo mundo era brasileiro. No meu albergue, as duas faxineiras eram dominicanas, o atendente era do Peru e até o cara que me atendia no Subway vizinho era do Panamá. Era assim, todo mundo de um canto diferente dessa americazona.

E em termos de comunicação, como é que fica? Em Miami é incontestável. Se deixar a população latina de lado é pedir pra ser esquecido. E não é por menos que a grande maioria (bem esmagadora mesmo) dos outdoors, flyers, spots de rádio e outras mídias eram 100% em espanhol. Só não digo isso de televisão porque eu não assisti.

Encontrei inúmeras peças em espanhol também na Califórnia e em Las Vegas. As marcas direcionam para o público mexicano (ou descendente dele) mesmo. Sem nenhuma dó ou pudor. “Se você é americano e não entende espanhol, azar o seu, meu público entende é ele que eu quero atingir.” Só por esse fato, já dá pra ter noção do tamanho que é a comunidade latina por lá. Se existem anúncios direcionados a eles, é por que é vantajoso pras empresas, ou seja, são eles que estão dando retorno financeiro.

E  para minha surpresa, Nova Iorque seguiu na mesma linha. Mesmo distante das fronteiras latinas, a população estrangeira que vive lá, mais a grande quantidade de turistas, já é o suficiente para proporcionar também peças publicitárias em espanhol.

E assim, os Estados Unidos vai aumentando a sua população latina e os americanos americanos mesmo vão perdendo espaço. É bom o Tio Sam começar a praticar esse spanglish!

Autor:

Diego Arelano, vulgo Zé. De onde veio singela alcunha? Do meu nome caricato de novela mexicana, Diego José, que meus pais resolveram dar em homenagem a cada um dos avós! hehe Fora isso, o Zé é um cara curioso e meio demorado que ainda tem uns 200 países pra conhecer. Palmeirense e publicitário formado pela Universidade de Brasília. Atualmente trabalha na Embratur, órgão de promoção turística internacional do governo.

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